Plantas produzidas em pesquisa da UFSC revitalizam praça do bairro Saco Grande, em Florianópolis

17/06/2021 16:21

Mudas de plantas ornamentais produzidas como parte de uma pesquisa do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) ganharam as ruas da cidade e integraram oficinas com crianças e adolescentes.

Tudo começou com um estudo do Laboratório de Floricultura e Plantas Ornamentais que será apresentado em outubro em um congresso da área. Para o trabalho, pesquisadores analisaram as chamadas “plantas de caixaria” ou “plantas de época” – mudas voltadas à comercialização, como aquelas vendidas em floriculturas para colocar em canteiros, vasos e similares. Sob coordenação do professor Enio Luiz Pedrotti, foram avaliados e comparados diferentes substratos e tamanhos de bandejas, entre outros fatores. O que sobrou, após o fim da coleta de dados, foi doado a diferentes escolas e projetos sociais de Florianópolis.

Uma dessas instituições foi o Conselho de Moradores do Saco Grande (Comosg), no qual existe um serviço de convivência e fortalecimento de vínculos para crianças e adolescentes de 6 a 17 anos. A conexão foi possibilitada por Augusto Kaczur Suski, que é estudante de Agronomia da UFSC, membro do Laboratório de Floricultura e Plantas Ornamentais e educador social do Comosg, responsável pela oficina de Educação Ambiental e Horta.

Ao longo da semana passada, Augusto, junto com o coordenador pedagógico do projeto, Aristides Goes, realizou as atividades com cerca de 20 crianças. Foram momentos de brincar e, ao mesmo tempo, embelezar um espaço bastante importante para a comunidade: a Praça Plácido Domingos de Souza, localizada ao lado do Conselho de Moradores. “Todos os canteiros já estavam estragados, o mato já tinha tomado conta. O que a gente fez com essas mudas, basicamente, foi revitalizar o nosso espaço. Então a gente limpou esses canteiros, que já não tinham mais plantas, colocou o adubo que a gente pegou no Sesc e plantou as mudinhas ali”, relata Augusto. O Hotel Sesc Cacupé forneceu a eles o composto orgânico produzido no local.

Para o estudante, as ações com a comunidade são vistas como uma oportunidade de retornar o que foi aprendido na universidade e, ao mesmo tempo, colaborar para a formação de cidadãos mais críticos e responsáveis. “Aqui no Saco Grande, a gente tem um manguezal. Eles moram do lado do manguezal, mas não sabem o que é esse bioma, porque é importante conservar. Aqui também temos muitos problemas de enchentes, de lugares que não tem saneamento básico. Então, o que buscamos ali não é simplesmente passar informação para eles, mas, por meio de discussões e conversas, tentamos revolucionar o que eles pensam. A gente acha muito importante eles terem uma consciência de como é bom preservar, não só o entorno deles, mas toda a cidade em que eles moram e o país. São pessoas que vão ter uma capacidade de interação política propriamente dita, vão ser pessoas críticas quanto a esses assuntos”, explica Augusto.

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