Projeto sobre cooperativismo envolve pesquisa virtual sobre a percepção dos consumidores brasileiros de produtos isentos de glúten

07/07/2021 15:13

Uma equipe de docentes e estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está realizando uma pesquisa virtual, para entender a percepção do consumidor brasileiro de produtos isentos de glúten sobre os alimentos, com foco em biscoitos, que são destinados a este público e que são comercializados no mercado nacional.

 

Este levantamento está sendo feito durante o Trabalho de Conclusão de Curso da estudante de Graduação Carolina dos Passos Teixeira, do curso de Ciência e Tecnologia de Alimentos, sob a orientação da Professora Dra. Maria Manuela Camino Feltes, do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos (CAL) da UFSC.

 

A equipe tem a participação da Professora Dra. Ana Paula Gines Geraldo, do Departamento de Nutrição, e da Dra. Jaqueline Oliveira de Moraes, pesquisadora do Departamento de Engenharia Química e Engenharia de Alimentos. As estudantes Maria Luiza Tonetto Silva, do Programa de Pós-Graduação em Ciência dos Alimentos, e Elizabeth Patrício Arantes, do curso de Graduação em Engenharia de Alimentos, também integram a equipe.

 

Neste estudo, serão avaliados aspectos relacionados aos hábitos e às demandas de consumo, de compra e de preparo de alimentos sem glúten, com foco em biscoitos.

 

Para tanto, a equipe elaborou um questionário sobre este assunto, com perguntas de múltipla escolha.

 

Este TCC faz parte de um projeto de pesquisa, extensão e desenvolvimento tecnológico coordenado pela Professora Maria Manuela, financiado pelo CNPq e pelo SESCOOP.

 

Se você tem restrição ao glúten ou segue uma dieta isenta de glúten por opção, basta clicar neste link, para responder a pesquisa: https://forms.gle/Z9VkaWo57ADcRZJj9

 

CCA promove dia 09/07 Seminário sobre Pandemia e Saúde Mental no Trabalho

06/07/2021 14:35

A direção do CCA,  preocupada em  acolher e criar uma unidade entre servidores professores e técnicos administrativos, nestes tempos complexos de Pandemia COVID-19  irão promover no dia 09/07  uma  conferência com o  Professor Narbal Silva  supervisor do LAPOTT  – Laboratório de Psicologia Positiva nas Organizações e  no trabalho.

O seminário será baseado no livro de  SILVA, Narbal; DAMO, Lílian Paula. VIDAS QUE MUDARAM: contribuições da psicologia positiva para situações de isolamento e distanciamento social. Florianópolis: UFSC, 2020. Link para o e-book gratuito: https://editora.ufsc.br/estante-aberta/ ).

O objetivo do seminário é fazer uma reflexão do momento em que estamos vivendo, as angústias, ansiedades e incertezas que o envolvem, a partir dos pressupostos e conceitos da psicologia positiva.

Título da Conferência: PANDEMIA COVID-19 E SAÚDE MENTAL NO TRABALHO.

Data da conferência: 09 de julho de 2021.

Horário: 15h às 17h

Quem pode participar:  todos os servidores docentes e técnicos-administrativos do CCA.

Formulário para confirmar inscrição: https://forms.gle/m6rtax3AKX1NA5gq8

Meet:  meet.google.com/rav-wiig-hih

 

 

Nota de Pesar: falece o professor aposentado Rogerio Goulart, do CCA

05/07/2021 15:30

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) comunica, com pesar, o falecimento do professor aposentado Rogerio Goulart, do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos, do Centro de Ciências Agrárias da UFSC. Ele tinha 83 anos e faleceu nesta sexta-feira, 2 de julho, em decorrência de um infarto.  Ver foto neste link.

O professor Goulart foi um dos fundadores do curso de Ciência e Tecnologia de Alimentos, e lecionou na UFSC até 1996. Seu filho, Rogerio Junior, graduou-se na UFSC em Ciências Econômicas, e sua filha, Chrystianne Goulart Ivanoski, também é docente da UFSC, no Departamento de Expressão Gráfica (EGR).

O Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos manifestou “profundo pesar pelo falecimento de um dos seus professores fundadores. O Prof. Rogério Goulart atuou no ensino, pesquisa e extensão se destacando na área de Tecnologia de Frutas e Hortaliças, foi um dos responsáveis pela transferência do Departamento para o Centro de Ciências Agrárias no início da década de 1980, fato que alavancou a influência do CAL na área de Ciência e Tecnologia de Alimentos no Brasil e no exterior”.

“Foi um entusiasta e muito dedicado no exercício da arte da docência. Tinha um carisma muito grande e participou da formação de muitos professores”, manifestou o Departamento.

O velório ocorrerá no Cemitério Jardim da Paz no sábado, 3 de julho, das 8 às 10h, com sepultamento marcado para 10h.

A comunidade universitária, enlutada, solidariza-se com os familiares e amigos do professor Rogerio Goulart.

Fonte: Site UFSC

Homenagem de quem conheceu o professor Rogério:

De: Jane Block: docente do CCA
” O professor Rogério que oi meu professor de graduação. Ele era alegre, disposto, incansável!
Gostava do que fazia, ensinava com prazer! Espirituoso e sempre com um sorriso no rosto
Foi uma das referências para minha formação”.

Quem quiser registrar a sua homenagem, enviar e-mail para: comunicacao.cca@contato.ufsc.br

Resultado da Promoção à Classe E – Titular de Carreira do Magistério Superior

18/06/2021 09:17

No dia 16/06 foi realizada a avaliação do Professor Robson Marcelo Di Piero, do Departamento de Fitotecnia  para Promoção à Classe E – Professor Titular de Carreira no Magistério Superior do 1º semestre de 2021, através de forma remota com transmissão ao vivo pelo canal do Youtube do CCA.

O professor Robson Di Piero foi avaliado por meio de Memorial de Atividades Acadêmicas, relatando a sua trajetória profissional à banca, que de forma unânime o aprovou a promoção à classe E.

O CCA parabeniza o professor Robson pela sua trajetória e pela a sua grande contribuição em sua área de atuação.

Plantas produzidas em pesquisa da UFSC revitalizam praça do bairro Saco Grande, em Florianópolis

17/06/2021 16:21

Mudas de plantas ornamentais produzidas como parte de uma pesquisa do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) ganharam as ruas da cidade e integraram oficinas com crianças e adolescentes.

Tudo começou com um estudo do Laboratório de Floricultura e Plantas Ornamentais que será apresentado em outubro em um congresso da área. Para o trabalho, pesquisadores analisaram as chamadas “plantas de caixaria” ou “plantas de época” – mudas voltadas à comercialização, como aquelas vendidas em floriculturas para colocar em canteiros, vasos e similares. Sob coordenação do professor Enio Luiz Pedrotti, foram avaliados e comparados diferentes substratos e tamanhos de bandejas, entre outros fatores. O que sobrou, após o fim da coleta de dados, foi doado a diferentes escolas e projetos sociais de Florianópolis.

Uma dessas instituições foi o Conselho de Moradores do Saco Grande (Comosg), no qual existe um serviço de convivência e fortalecimento de vínculos para crianças e adolescentes de 6 a 17 anos. A conexão foi possibilitada por Augusto Kaczur Suski, que é estudante de Agronomia da UFSC, membro do Laboratório de Floricultura e Plantas Ornamentais e educador social do Comosg, responsável pela oficina de Educação Ambiental e Horta.

Ao longo da semana passada, Augusto, junto com o coordenador pedagógico do projeto, Aristides Goes, realizou as atividades com cerca de 20 crianças. Foram momentos de brincar e, ao mesmo tempo, embelezar um espaço bastante importante para a comunidade: a Praça Plácido Domingos de Souza, localizada ao lado do Conselho de Moradores. “Todos os canteiros já estavam estragados, o mato já tinha tomado conta. O que a gente fez com essas mudas, basicamente, foi revitalizar o nosso espaço. Então a gente limpou esses canteiros, que já não tinham mais plantas, colocou o adubo que a gente pegou no Sesc e plantou as mudinhas ali”, relata Augusto. O Hotel Sesc Cacupé forneceu a eles o composto orgânico produzido no local.

Para o estudante, as ações com a comunidade são vistas como uma oportunidade de retornar o que foi aprendido na universidade e, ao mesmo tempo, colaborar para a formação de cidadãos mais críticos e responsáveis. “Aqui no Saco Grande, a gente tem um manguezal. Eles moram do lado do manguezal, mas não sabem o que é esse bioma, porque é importante conservar. Aqui também temos muitos problemas de enchentes, de lugares que não tem saneamento básico. Então, o que buscamos ali não é simplesmente passar informação para eles, mas, por meio de discussões e conversas, tentamos revolucionar o que eles pensam. A gente acha muito importante eles terem uma consciência de como é bom preservar, não só o entorno deles, mas toda a cidade em que eles moram e o país. São pessoas que vão ter uma capacidade de interação política propriamente dita, vão ser pessoas críticas quanto a esses assuntos”, explica Augusto.

Divulgação da banca examinadora e relação de candidatos aptos à promoção para Classe E – Titular da Carreira do Magistério Superior

26/05/2021 14:48

Portaria nº 037/2021/CCA – Comissão Avaliadora de Memoriais da Avaliação de Desempenho (MAD) e Memoriais de Atividades Acadêmicas (MAA) ou Teses Inéditas dos docentes do Centro de Ciências Agrárias aptos a se submeter à promoção à Classe E no primeiro semestre de 2021:

CLAUDIO MANOEL RODRIGUES DE MELO (Presidente – Titular Interno – UFSC)
EDUARDO ALVES (Titular Externo – UFLA)
FRANCISCO MURILO ZERBINI (Titular Externo – UFV)
LOUISE LARISSA MAY DE MIO (Titular Externo – UFPR)
ELANE SCHWINDEN PRUDÊNCIO (Suplente Interno – UFSC)
RICARDO TREZZI CASA (Suplente Externo – UDESC)

Professor Avaliado Departamento Data e horário da Defesa
Robson Marcelo Di Piero Fitotecnia 16/06/2021 às 14 horas

 

 

 

 

A defesa irá ocorrer por videoconferência e será transmitida ao vivo pelo canal do CCA no Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCwXC3XBf0xjVgdy8avMSuUA

Cientistas da UFSC criam produto natural e inovador para tratamento da mastite bovina

26/05/2021 14:33

Pesquisadoras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) desenvolveram um gel antimicrobiano à base de ingredientes naturais para o tratamento da mastite bovina, uma das principais doenças que atinge vacas leiteiras. O produto, que teve seu pedido de patente depositado no início de maio junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) por meio da Secretaria de Inovação da UFSC (Sinova), pode atender a uma demanda antiga de produtores de sistemas orgânicos e agroecológicos, bem como colaborar para a diminuição do uso de antibióticos nos sistemas de criação convencionais. O trabalho foi executado no Laboratório de Bioquímica e Produtos Naturais (Labinat) e fez parte da pesquisa de doutorado de Gabriela Tasso Pinheiro Machado, realizada no Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas sob orientação da professora Shirley Kuhnen e co-orientação de Luciana Aparecida Honorato e Maria Beatriz Veleirinho.

A mastite bovina é caracterizada pela inflamação do tecido da glândula mamária e pode ser causada por diferentes espécies de bactérias. A enfermidade é dividida em duas categorias: a mastite clínica, na qual há sintomas visíveis e mudanças físicas na aparência do leite e da mama; e a mastite subclínica, de mais difícil diagnóstico, uma vez que não apresenta manifestações aparentes na vaca ou no leite. Em ambos os casos, contudo, há redução da quantidade e da qualidade do leite. Segundo Gabriela, a doença está presente em praticamente todos os rebanhos leiteiros e pode gerar grandes prejuízos para os produtores. Seu tratamento, em geral, envolve a utilização de antibióticos, mas, além do risco de as bactérias desenvolverem resistência aos medicamentos tradicionais, o uso de antibióticos é limitado na produção orgânica e agroecológica de leite – o que torna bastante complicado o tratamento e o controle da mastite nesse tipo de sistema.

O gel antimicrobiano criado na UFSC foi pensado justamente para atender às necessidades desse grupo de produtores. Ele é totalmente elaborado com matérias primas naturais: k-carragenana, uma substância extraída de algas marinhas vermelhas, mucilagem de linhaça e extrato de macela. Nenhum dos ingredientes foi escolhido por acaso. Os dois primeiros ajudam a dar a consistência adequada – a viscosidade do gel permite que o material permaneça por mais tempo no interior da glândula mamária e que as partículas sejam liberadas gradativamente ao longo do tempo. Há registros, aliás, de que a linhaça já vem sendo utilizada por produtores de leite orgânico para prevenir a mastite devido ao seu potencial antimicrobiano. O extrato de macela, por sua vez, havia sido alvo de estudos prévios do Labinat, que constataram que a planta possui atividade antimicrobiana e, mesmo em doses altas, não é tóxica para humanos ou animais.

Um processo de nanoemulsão da macela, que também está sendo patenteado, reduziu as partículas à escala nanométrica – dezenas de milhares de vezes menor que um fio de cabelo. Isso aumenta o potencial antimicrobiano da planta, uma vez que elementos menores têm mais alcance e penetração no interior do corpo, e colabora para a estabilidade do gel. “A maioria dos produtos naturais está exposta à degradação quando em contato com o oxigênio ou com temperaturas altas. Então, o desenvolvimento da nanoemulsão de macela foi proposto inicialmente para contornar essas limitações, já que a nanoemulsão forma partículas reduzidas e protege os ativos. Isso garante maior tempo de prateleira e maior estabilidade”, explica Gabriela.

Uma série de experimentos em laboratório, com células de glândulas mamárias bovinas coletadas em abatedouros, confirmaram que o gel é capaz de penetrar no tecido mamário e matar bactérias causadoras da mastite sem fazer mal para as células da vaca. O Labinat ainda não tem previsão de quando começarão os testes com animais, mas a proposta é que o produto possa ser utilizado durante a lactação e no chamado período seco – quando a vaca não está produzindo leite. “É tanto preventivo quanto para o tratamento”, comenta a pesquisadora.

“A gente conseguiu desenvolver com sucesso um novo produto, à base de produtos naturais, que mostrou atividade antimicrobiana elevada e aplicação segura, por não apresentar nenhum tipo de toxicidade”, celebra Gabriela. “Eu gostaria muito que esse produto um dia chegasse na prateleira, porque de fato é uma necessidade que o mercado de produtos orgânicos e agroecológicos de leite tem. É uma lacuna, porque não existe hoje um produto com eficácia antimicrobiana que seja comercializado e que tenha origem natural, que tenha seu uso permitido. Isso não existe hoje, no Brasil pelo menos. Então, seria de fato uma necessidade que esse produto um dia chegasse na prateleira e, de preferência, o quanto antes”, complementa.

A pesquisa faz parte do projeto Produtos naturais: alternativa no controle da mastite bovina, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e coordenado pelo professor do Departamento de Zootecnia da UFSC Luiz Carlos Pinheiro Machado Filho.

 

Projeto da UFSC desenvolve a vitivinicultura em Nova Trento

25/05/2021 18:29

Um projeto em desenvolvimento pelo Núcleo de Estudos da Uva e do Vinho (Neuvin) do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) promete revolucionar a vitivinicultura de Nova Trento. As atividades do projeto foram iniciadas em agosto do ano passado, e os resultados apresentados até agora são promissores e até inéditos, segundo o professor Alberto Brighenti, coordenador dos trabalhos.

“Graças à cobertura plástica foi possível produzir pela primeira vez uvas viníferas, como Chardonnay, Pinot Noir e Marselan, na região. Essas uvas foram vinificadas e os vinhos estão nas fases finais do processo de elaboração, mas testes preliminares indicam que há potencial para a produção de vinhos de qualidade”, explica o coordenador.

O projeto foi criado com o objetivo de aperfeiçoar e auxiliar o sistema produtivo local a partir do diagnóstico, da avaliação e da condução de forma participativa de técnicas e práticas produtivas para a produção de uvas de mesa e viníferas no município do Vale do Rio Tijucas, que é conhecido nacionalmente e até no Exterior pelo turismo religioso no santuário de Santa Paulina.

Foto: divulgação/Neuvin

“Nova Trento é uma referência em turismo religioso. Preservando tradições, desenvolveu-se junto ao santuário uma rota colonial no município, com vinícolas que comercializam produtos diversos. Além de sucos, o produto predominante é o vinho colonial, comprado em sua grande maioria a granel ou elaborados com uvas provenientes do Rio Grande do Sul, visto que há pouco vinhedos na região”, observa o coordenador dos trabalhos.

Para mudar a atual realidade, o projeto é realizado em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu) e conta com aporte financeiro de viticultores e empresários locais do ramo. “A parceria entre a Fapeu e a UFSC é fundamental para a realização de projetos dessa natureza. Os profissionais da Fapeu fazem a gestão dos recursos, o que confere aos pesquisadores maior liberdade para executar o trabalho de pesquisa ou extensão, como neste caso específico. Assim como o percentual destinado ao departamento também é um recurso importante em períodos de escassez, como o que estamos atravessando no momento”, destaca o professor Brighenti.

Os trabalhos de campo são desenvolvidos por uma equipe de 10 pessoas a 78 metros de altitude, na vinícola Villaggio Cipriani. Além do professor Brighenti, também integram o grupo o professor Aparecido Lima da Silva, o pesquisador doutor José Afonso Voltolini, os alunos de mestrado do programa de Recursos Genéticos Vegetais da UFSC Isadora Teixeira Coelho, Sabrina Sautchuk, Thainá Graciano Votre e os acadêmicos de graduação do curso de Agronomia da UFSC Izabela Sgrott Serpa, Priscila Dal Lago, Marina Denchinsky e Luiza Varella.

Variáveis locais

Foto: divulgação/Neuvin

Hoje, a vitivinicultura no Estado de Santa Catarina é uma atividade econômica que está em processo de expansão, sendo sustentada principalmente por produtores independentes e pequenas e médias empresas rurais que produzem a uva e realizam a vinificação. Diante desse quadro, avalia o professor Brighenti, é de fundamental importância a definição de variáveis locais para o estabelecimento de índices referenciais que auxiliem na adequação das técnicas de manejo visando à elaboração de vinhos de melhor qualidade.

“O uso da cobertura possibilitou a produção de uvas de mesa com qualidade diferenciada na região. Assim como também foi possível desenvolver o trabalho de capacitação técnica dos trabalhadores e estudantes envolvidos”, observa o professor. As atividades estavam previstas inicialmente para 12 meses, com conclusão em julho deste ano, mas serão renovadas por pelo menos mais um ano, ampliando as ações para a viticultura e a fruticultura, com as culturas da oliveira e do abacateiro.

 

Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária

Fonte: Site UFSC

Pesquisas sobre bem-estar animal recebem premiação de instituição britânica

10/05/2021 14:11

Duas pesquisas do Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas foram selecionadas para receber o prêmio Animal Welfare Student Scholarship, da Federação de Universidades para o Bem-Estar Animal (UFAW). O prêmio de £2.400 irá possibilitar a realização dos estudos propostos pela mestranda Bianca Vandresen e pelo doutorando Giuliano Pereira de Barros. Os estudantes apresentarão os resultados dos seus projetos de pesquisa no encontro anual dos bolsistas a UFAW.

A UFAW é uma instituição de caridade sediada no Reino Unido que trabalha com a comunidade científica em todo o mundo para desenvolver e promover melhorias no bem-estar dos animais por meio de atividades científicas e educacionais. Com bolsas de estudo, a UFAW visa incentivar os alunos a desenvolverem seus interesses no bem-estar animal e fornecer-lhes a oportunidade de conduzir pesquisas relevantes ou outros projetos (por exemplo, educacionais).

O projeto de Bianca, Influence of human-animal interactions and cognitive bias on dairy heifers’ fear of humans (Influência de interações humano-animal e viés cognitivo no medo de novilhas à humanos), é realizado com a supervisão da professora Maria José Hötzel. Ele pretende compreender melhor como animais percebem e interpretam interações com humanos. “Na produção de leite os produtores interagem diariamente com as vacas, mas nós ainda não sabemos exatamente como as vacas percebem essas interações e como elas influenciam na relação humano-animal”, conta Bianca, integrante do Laboratório de Etologia Aplicada e Bem-Estar Animal (LETA).

Bianca, do Laboratório de Etologia Aplicada e Bem-Estar Animal. Foto: CCA/UFSC

A pesquisadora explica que irá investigar como a distância de fuga das vacas em relação a pessoas varia de acordo com a qualidade das interações humano-animal. “Vamos ter duas formas de interação ao longo do tempo: positiva – falar calmamente e manejá-las em silêncio, e aversiva – fazendo barulhos e falando alto”.

A ideia inicial é dividir os animais em dois grupos de doze; serão novilhas que ainda não foram ordenhadas para evitar influência nos resultados. Num deles, as interações serão positivas pelas primeiras duas semanas e, depois, a mesma pessoa muda para interações aversivas pelo mesmo período; o segundo grupo terá a ordem contrária, primeiro aversivo e depois positivo, pelo mesmo período de tempo. Os testes de distância de fuga serão feitos antes das interações começarem e no fim de cada tratamento.

Outro aspecto da pesquisa será apurar como o viés cognitivo dos animais pode influenciar nas percepções das interações humano-animal. “Animais como as vacas leiteiras têm traços individuais. Um desses traços se refere ao viés cognitivo, em que alguns animais se mostram mais ‘pessimistas’ e outros mais ‘otimistas’”, frisa Bianca. “Testes de viés cognitivo mostram que alguns eventos podem influenciar nisso, como após procedimentos dolorosos os animais se apresentam mais pessimistas quando apresentados a uma situação ambígua. Porém, outros estudos apontam que esses traços também podem ser características individuais do animal e que não se sabe ao certo como e porque se desenvolvem. No nosso estudo vamos investigar se, além da qualidade das interações humano-animal, essa característica de viés cognitivo também influencia em como as novilhas interpretam as relações com pessoas”, afirma a mestranda.

Os trabalhos serão desenvolvidos no Dairy Education and Research Centre da University of British Columbia (UBC), no Canadá. Bianca conta que a equipe de pesquisa em bem-estar animal da UBC tem parceria com o laboratório na UFSC. Ela irá viajar assim que seu visto for aprovado, o que deve ocorrer entre julho e agosto. No Canadá, Bianca irá passar por período de testes e quarentena, antes de ficar liberada para ir a campo.

Corte de caudas

A pesquisa de Giuliano, Do sheep tail docking decrease myiasis occurrence in sheep? A retrospective study (O corte da cauda diminui a ocorrência de miíase em ovelhas? Um estudo retrospectivo), tem a supervisão da professora Patrizia Ana Bricarello. O trabalho pretende responder se vale a pena mutilar ovelhas em nome de uma suposta promoção da saúde dos animais.

Giuliano, do Núcleo de Agroecologia da UFSC. Foto: CCA/UFSC

De acordo com Giuliano, a caudectomia (corte da cauda) é uma prática zootécnica fortemente inserida nas fazendas que criam ovelhas em todo o mundo. “Elas não têm cauda, só um toquinho, pela alegação de que isso evitaria juntar fezes e urina, que iria predispor os animais a terem infecções, especialmente miíase”, destaca o pesquisador, que é integrante do Núcleo de Agroecologia da Fazenda Experimental Ressacada. Miíase é uma doença provocada pela infestação de larvas de moscas, popularmente conhecida como bicheira.

O entendimento moderno de bem-estar animal, acrescenta Giuliano, revisita técnicas como castração, remoção de chifres e mutilação de orelhas de cachorros. “Estamos questionando se tem algum motivo para seguir fazendo isso e nesse rol de práticas está o corte da cauda de ovelhas”, pondera. O procedimento é realizado geralmente na primeira semana de vida do cordeiro, sem anestesia. “O corte com a lâmina ou faca é a frio; às vezes esquenta e cauteriza, em outras, coloca umas borrachinhas. Como o rabo é enervado, elas sentem muita dor. É bem difícil de ver, o animal fica chorando e não come por vários dias”, descreve.

O pesquisador comenta que ovelhas precisam do rabo para expressar seu comportamento natural. “O hábito de remover a cauda ficou porque antigamente a lã valia muito dinheiro; as ovelhas eram criadas basicamente para isso. Como a cauda é muito grande, fazia-se isso para que as sujidades não afetassem a lã. Hoje em dia com o poliéster, o preço da lã teve diminuição muito grande”, relata. Giuliano salienta que o mercado atual busca um produto diferenciado, preocupado com o bem-estar animal.

O projeto de Giuliano é um estudo epidemiológico retrospectivo do rebanho de ovinos da Fazenda Experimental da Ressacada da UFSC – hoje são pouco menos de 50, mas a média é de 60 a 70 animais. “Vamos analisar dados da incidência de doenças no rebanho durante sete anos. Os animais vivem ali há mais de oito anos, e diariamente, um médico veterinário anota o que acontece com eles”. Giuliano explica que alguns têm cauda e outros não: “Os que não têm foram comprados pela UFSC, vieram sem cauda. Os que nascem ali, a gente não remove”.

A pesquisa documental vai analisar todos os dados e fazer mapeamento da ocorrência da miíase, principal doença a se prevenir pelo corte da cauda dos ovinos, e verificar se os animais sem cauda têm efetivamente menor quantidade deste mal. Pelo tamanho da série de dados, o poder estatístico será muito grande, avalia Giuliano. “Se os que não têm cauda tiverem incidência igual, não tem por que submeter o animais a este sofrimento”, finaliza o pesquisador.

Caetano Machado/Jornalista da Agecom/UFSC

Fonte: Site UFSC

 

Pesquisadores propõem técnicas para aprimorar a análise de riscos de transgênicos

04/05/2021 16:26

Os transgênicos representam 94% de toda a soja, o milho e o algodão plantados no Brasil, segundo dados de 2019 do Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações Agrobiotécnicas (Isaaa). A área plantada com as sementes geneticamente modificadas no país só é superada pela dos Estados Unidos. Apesar dessa ampla utilização e distribuição, muitas incertezas permanecem em relação à segurança desses organismos que, em um processo de melhoramento genético, tiveram um gene de outra espécie adicionado aos seus. Antes de chegar nas mãos do agricultor, todos eles têm que passar por um processo de avaliação de risco, que considera – ou ao menos deveria considerar – possíveis prejuízos para seres humanos, animais e o meio ambiente. Essas análises realizadas atualmente, contudo, são bastante limitadas e não levam em conta potenciais “efeitos colaterais” que a inserção de um novo gene podem desencadear, principalmente quando combinada a situações de estresse comuns durante o cultivo, como a seca ou a aplicação de agrotóxicos.

“Hoje, basicamente, eles fazem uma caracterização molecular do evento que foi inserido. Vou dar um exemplo: a Monsanto, que é uma das empresas, vai lá e faz a modificação genética de um gene ou dois, faz a caracterização daquilo que foi inserido e uma análise composicional de cerca de 50 a 60 compostos nutricionais. É basicamente isso, tem outros parâmetros agronômicos, mas não tem nenhum nenhum estudo aprofundado de possíveis modificações no metabolismo da planta”, explica Rafael Benevenuto, pós-doutorando do Programa de Pós-Graduação em Recursos Genéticos Vegetais da Universidade Federal de Santa  Catarina (UFSC).

Rafael faz parte de um grupo que congrega cientistas da UFSC, do Centro de Biossegurança da Noruega (GenØk) e da Agência Federal Alemã de Conservação da Natureza (BFN), sendo este último o principal financiador do estudo. Com o projeto GMOmics – Técnicas ômicas como ferramentas úteis para abordar lacunas emergentes na avaliação de risco de organismos geneticamente modificados, os pesquisadores pretendem colaborar para o aprimoramento das análises de segurança a partir do uso de tecnologias que permitam uma visão mais abrangente do que acontece na planta que foi alvo da modificação genética.

As metodologias ômicas propostas por eles consistem em um conjunto de técnicas moleculares que ajudam a entender o organismo de maneira sistêmica – ou seja, reconhece-se que um ser vivo é mais do que a soma de suas partes, e busca-se conhecer as complexas interações que acontecem ali. As ômicas contemplam quatro principais áreas: a genômica, que estuda os genes; a transcriptômica, responsável pela investigação da expressão gênica, processo pelo qual a informação contida no gene é decodificada em produtos funcionais, como proteínas ou RNA; a proteômica, que pesquisa as proteínas; e a metabolômica, relacionada aos metabólitos, ou seja, aos produtos que resultam das reações de metabolismo.

Milhares de componentes da planta podem ser analisados ao mesmo tempo com a junção desses quatro campos. “Hoje as empresas transformam as plantas e, teoricamente, o objetivo final é alterar uma ou duas proteínas, seja para uma resistência a um herbicida, ou a um inseto, algo assim. E o que a gente tem visto, com essas técnicas ômicas de biologia molecular, é justamente que essas pequenas modificações que eles fazem podem induzir ou acarretar outras modificações maiores no metabolismo da planta, que não são esperadas”, salienta o pesquisador.

Transgênicos, agrotóxicos e seus efeitos adversos

Desde 2017, quando começou o GMOmics, já foram realizados alguns experimentos com variedades de sojas transgênicas comercializadas e cultivadas no Sul do Brasil, bem como com espécimes convencionais, que não passaram pelo processo de melhoramento genético. As pesquisas foram desenvolvidas em estufas da Fazenda Experimental da Ressacada da UFSC e na propriedade de um agricultor do município de Zortéa (SC).

Aplicação de agrotóxico à base de glifosato. Foto: Lyon Sojfer

O primeiro dos artigos publicados pelo grupo aborda os efeitos adversos de agrotóxicos à base de glifosato, como o Roundup, no metabolismo de duas variedades de soja geneticamente modificada: com apenas um transgene inserido (o gene EPSPS, resistente aos herbicidas à base de glifosato) e com dois transgenes (o EPSPS e o rCry1Ac, que codifica para uma toxina inseticida). A análise revelou que o herbicida causa uma série de efeitos indesejados no metabolismo, na fotossíntese e na resposta hormonal e de defesa dessas plantas. A situação foi pior nas que tiveram dois transgenes inseridos. Os resultados observados, conforme os pesquisadores, desvendam problemas previamente observados no crescimento e na produção de soja transgênica.

É importante destacar que, no Brasil, a instituição que regulamenta a liberação de organismos geneticamente modificados, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), avalia cada transgene individualmente. Uma vez aprovado, qualquer nova variedade de organismo geneticamente modificado que utilize o transgene de forma isolada ou em combinação com outro também aprovado é submetida apenas a uma tramitação rápida e superficial. A CTNBio também não avalia os riscos de uma planta transgênica juntamente com o uso do herbicida. E esse é um ponto crucial, uma vez que grande parte das sementes geneticamente alteradas tem como principal diferencial a resistência a agrotóxicos e, geralmente, é comercializada em pacotes tecnológicos que incluem a aquisição dos defensivos.

Variedades de soja convencionais submetidas à aplicação do glifosato. A falta do gene EPSPS transgênico resistente nas plantas convencionais causa dano no primeiro momento e posteriormente as leva à morte. A primeira imagem, em 15 de dezembro de 2018, ilustra as variedades convencionais com aplicação do herbicida. A segunda ilustra as mesmas plantas em 18 de dezembro de 2018. Nesta, as que estão vivas são controles convencionais sem aplicação de agrotóxico. Fotos: Caroline Zanatta

Seca e estresses acumulados

Controle do tratamento de estresse por seca em plantas de soja transgênicas. Foto: Jefferson Mota

Em outro estudo, cuja análise de dados está em andamento, os cientistas avaliam o que acontece com a soja transgênica ao submetê-la ao glifosato e a uma situação de seca. Além de observarem alterações em proteínas além daquelas que são alvo da modificação genética, o grupo viu que a planta transgênica, mesmo em condições ideais de cultivo, apresenta distúrbios metabólicos que não existem na convencional. “Esse desvio é aumentado de acordo com o acúmulo de estresse. Então quando você vai lá e aplica herbicida nessa planta, esse distúrbio metabólico aumenta. E, quando aplica ainda um estresse por seca, esse quadro de alteração no metabolismo aumenta mais ainda”, relata Rafael.

“Esta é a grande questão: a soja transgênica está respondendo diferentemente. Parece que ela tem um custo maior para responder ao estresse do que a planta convencional, principalmente ligado ao metabolismo energético e do carboidrato”, enfatiza o cientista. De acordo com ele, os desvios metabólicos observados podem ser relacionados com menores produtividade e desenvolvimento da planta, mas essa, por enquanto, é apenas uma hipótese: “Nós até fizemos alguns estudos, em que tentamos relacionar algumas análises fenotípicas, como, por exemplo, o número de vagens da planta e o peso de grãos, para ver se conseguimos ver algum resultado no fenótipo, mas não analisamos esses dados ainda”. Também não foram avaliadas, no âmbito do projeto, possíveis consequências dessas alterações para a saúde humana ou animal.

Propostas para agências reguladoras

Implantação e coleta do experimento a campo realizado no município de Zortéa (SC) em parceria com agricultores locais. Foto: divulgação

Apesar de as tecnologias ômicas já serem utilizadas em diversas áreas da biologia e da saúde, o tipo de análise que o GMOmics propõe ainda não é aplicado em nenhum lugar do mundo para a avaliação de transgênicos. “Então este é um dos objetivos do projeto: mostrar que hoje temos essas ferramentas ômicas que podem auxiliar no melhor entendimento dos possíveis efeitos não intencionais que uma transformação genética pode causar”, aponta Rafael.

O grupo está trabalhando agora em um artigo no qual apresenta um estudo de caso aplicado à Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA, o órgão responsável pela regulação de transgênicos na União Europeia). A partir dos dados obtidos com os experimentos realizados em Santa Catarina, os pesquisadores simulam uma avaliação feita por uma empresa que solicita a liberação da semente geneticamente modificada. “A gente faz desde a análise laboratorial, apresenta os dados e também propõe uma análise estatística, traz uma proposta de como analisar esses dados estatisticamente para poder entender se existe uma alteração não intencional no metabolismo dessas plantas ou não”, conta o pesquisador.

Essas técnicas estão, garante ele, cada vez mais acessíveis: “Não existe mais a desculpa que se usava há anos atrás com relação a custo, por exemplo, ou acesso a essas tecnologias. Elas evoluíram muito”. “São técnicas muito avançadas hoje, que poderiam muito bem ser utilizadas para isso”, resume o pós-doutorando.

Grupo de estudos em Biossegurança de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) do Laboratório de Fisiologia do Desenvolvimento e Genética Vegetal da UFSC. Da direita para a esquerda: professor Rubens Nodari, Rafael F. Benevenuto, Rodrigo Shifini, Caroline B. Zanatta, Francieli Marian, Jhully Shilena e Sarah Z. Agapito-Tenfen. Foto: divulgação

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Camila Raposo/Agecom/UFSC

 

Fonte: Site UFSC